Influlenciador virtual

Os influenciadores virtuais vão substituir os criadores de carne e osso?

Eles podem não ter sangue correndo nas veias mas têm rotinas agitadas em grandes cidades, são amigos das celebridades hype do momento, vestem as marcas sonho de qualquer fashionista e fecham MUITOS contratos de publicidade na internet. Os Influenciadores virtuais tem chamado atenção nas plataformas por sua legião de seguidores e pelos números em ascendência relacionados a sua presença e influência na internet.

Seja como representantes exclusivos de marcas como a nossa queridíssima Lu do Magalu ou como personalidades influentes com vidas instagramáveis ao estilo Miquela Souza, estes avatares construídos através de inteligência artificial têm apontado novos caminhos e possibilidades para a publicidade e representação na internet. Apesar de um assunto bastante novo para muitos a pergunta que nos interessa agora é: os influenciadores virtuais vão substituir os criadores de carne e osso?

Tendência global

No final de 2019 a gigante global em pesquisa de tendências Trend Watching apontou os avatares de marca como uma das cinco mega tendências para ficar de olho no ano de 2020. A empresa afirma que neste ano, os consumidores prestarão mais atenção às marcas que se incorporam por meio de novos personagens e avatares virtuais, permitindo que eles habitem os canais digitais de maneiras mais ricas, imersivas e humanas.

Apesar do contato com robôs e máquinas na relação entre marcas e consumidores ainda enfrentar algumas barreiras (quem nunca se irritou tentando cancelar a tv a cabo porque o robô não entendia o número do cpf?), o estudo aponta uma tendência à normalização desse contato e de relacionamentos mais significativos com entidade movidas a inteligência artificial. Assistentes pessoais como a Siri ou a Alexa vem se incorporando cada vez mais no cotidiano das pessoas.

Com a multiplicidade de canais onde uma marca deve estar presente e principalmente, presente de forma coerente, um representante virtual que auxilie o contato e relacionamento da marca com seu público alvo é uma alternativa. Segundo a professora doutora em comportamento e consumo de moda Amanda Queiroz Campos, nós temos uma necessidade natural de humanização das relações e uma tendência a perceber pessoas nas coisas além de atribuir personalidade para marcas.

“É curioso pensar em como a gente espera que uma marca tenha um DNA ou uma personalidade, nós criamos estes atributos buscando humanizar e criar relações com as marcas e seus produtos. Os influenciadores virtuais ou avatares são um esforço das marcas em tentar suprir essa impessoalidade e criar vínculo com o cliente da forma mais humana possível.”

Miquela, Noonoouri, Shudu e seus milhares de seguidores

Com respectivos 360 mil e 205 mil seguidores em suas contas no instagram, Noonoouri e Shudu são modelos e já estamparam inúmeras páginas de revistas pelo mundo. A britânica Shudu foi estrela de uma campanha da marca de luxo Balmain junto com outras duas companheiras virtuais em 2018 e Noonoouri foi jurada especial no reality Making The Cut da Amazon Prime Video este ano ao lado da super influente Chiara Ferragni.

Apesar dos números expressivos das influenciadoras, nenhuma delas é tão popular como a super star Miquela Souza. Descrita como metade brasileira e metade espanhola, a personalidade pertence à Brud, empresa do vale do silício que possui outros influenciadores virtuais. Ela já fez campanhas para marcas como Chanel, Calvin Klein e Dior além de possuir uma carreira como cantora com direito a inúmeras músicas no Spotify e canal no Youtube com seu clipes e vídeos onde entrevista celebridades.

Numa passada rápida pelos posts de Miquela no Instagram conseguimos observar tanto comentários de fãs e seguidores tão carinhosos e pessoais como os em fotos de influenciadores reais quanto comentários ainda receosos e cheios de dúvidas se Miquela é “de verdade” ou não. Os cenários onde a influenciadora está inserida e fotos com celebridades reais tem qualidade tão surpreendente que realmente fazem nosso senso de realidade estremecer.

Mas por que escolher um influenciador virtual?

Segundo um o portal TAB Uol em um levantamento divulgado no final de 2019, a maior audiência dos influenciadores virtuais está em países como Estados Unidos, com 23% deste total percentual, e na sequência vem o Brasil (9%), Rússia (5%), Turquia (3%) e Itália (2%). Para marcas e agências os influenciadores virtuais são sinônimo de controle total da narrativa que se quer criar. Sem contratos e regras esses avatares podem ter sua personalidade completamente moldada para representar uma marca da maneira exata com que se pretende.

Apesar desta segurança garantida pelos avatares de marcas no relacionamento com clientes, esta prática abre discussão para o nível de realidade no conteúdo gerado por eles e a verdadeira conexão com o público. Com a consciência de que as informações transmitidas pelo influenciador são geradas por inteligência artificial, a tendência é de desconfiança e pouca empatia.

Apesar de vivermos em ambientes cada vez mais conectados e na companhia cada vez maior de robôs, pessoas ainda se conectam prioritariamente com pessoas. A empatia e conexão afetiva são características de criadores de conteúdo de carne e osso que seus colegas virtuais ainda não conseguem substituir (ainda!). Enquanto isso, existe espaço para todo mundo em um mercado super competitivo mas que exige cada vez mais verdade e transparência.

 

Henri AlvesHenri Alves

Apaixonado pela estética maximalista, manda áudios longos e é geminiano, óbvio! Estuda comportamento e consumo, é Graduando em Moda no Centro de Artes da Universidade do Estado de Santa Catarina e adora música pop. Também pesquisa tendências e inovação dentro do time de conteúdo da Dia Estúdio 🙂

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