E se a Netflix fosse um canal de TV?

As plataformas de streaming invadiram o mercado oferecendo a possibilidade do público consumir o conteúdo que mais lhe interessa, no momento que ele quiser. Mas isso não significa que o formato está fechado para, pelo menos, flertar com alguns outros modelos.

Na semana passada, a Netflix França anunciou que começou a testar um novo recurso que permite aos assinantes assistirem a uma versão do serviço que se parece com um canal de TV linear tradicional.

É chamado de “Direct” e a empresa o descreve como “uma experiência baseada na web que é igual para todos que assistem: um serviço em tempo real que oferece aos nossos membros na França alguns dos melhores conteúdos franceses e europeus” da biblioteca de programas.

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No momento, o Direct está disponível apenas para uma pequena porcentagem de assinantes franceses da Netflix, mas a empresa diz que será lançado em todo o país em 5 de dezembro.

A postagem da Netflix anunciando o Direct disse que ela escolheu a França para o teste porque “assistir à TV tradicional continua muito popular entre as pessoas que querem apenas uma experiência relaxante, onde não precisam escolher programas”.

À primeira vista, pode parecer estranho que a Netflix volte no tempo ao lançar um feed linear de sua programação. Mas a decisão de lançar o Direct faz sentido quando você pensa em uma das missões mais importantes da empresa no momento, que é entender como ajudar seus membros a descobrir e provar suas ofertas abundantes de conteúdo.

Embora a empresa esteja longe de conseguir novos assinantes em mercados mais maduros, como os Estados Unidos, onde já atinge bem mais da metade da população, é provavelmente mais importante encontrar maneiras de reter os clientes existentes.

Está claro que um dos grandes objetivos é reduzir a angústia da procura de um conteúdo para assistir. Ficar trocando, título a título, até se conformar que aquela série antiga, já maratonada algumas vezes seria a melhor escolha, é uma sensação que a Netflix quer evitar ao máximo.

A lista dos 10 conteúdos mais vistos do momento, que sempre ganha destaque na primeira aba da plataforma, é uma maneira de encorajar o espectador a assistir o que outras pessoas estão curtindo.

Embora ainda esteja em modo de teste, desde o final de 2019, alguns usuários da Netflix também tiveram uma funcionalidade de “reprodução aleatória” em seus aplicativos que, quando selecionada, começa a reproduzir instantaneamente um episódio de um programa ou filme.

 

Esse novo teste de feeds lineares, nos faz refletir que nenhum formato é completo por si só. Aparentemente, a reinvenção e a mistura de linguagens é o caminho mais próspero para continuar engajando um público cada vez mais exigente.

Mas será que a criação de canais será efetiva para reter parte do público e diminuir essa ansiedade sobre o quê assistir? O fato da empresa distribuir a nova função para todos os usuários franceses já no próximo mês, alerta que esta ideia pode sim prosperar para outros países.

Mas se essa fórmula fará sentido, vamos ter que aguardar para descobrir.

Instagram adiciona reels e guias de compras nas telas iniciais de todos os usuários

Se você atualizou o Instagram na última semana deve ter percebido as mudanças na tela inicial do aplicativo. Na tentativa de seguir a tendência de vídeos curtos, o app adicionou uma nova guia Momentos na tela de todos os usuários, além de uma botão de acesso à guia Loja, para promover seu impulso de comércio eletrônico.

“No Instagram, nosso foco sempre foi nos jovens e criadores, porque eles são criadores de tendências. A mudança está acontecendo rapidamente agora, incluindo a forma como esses dois grupos usam o Instagram e se envolvem com o mundo. Este ano, com a pandemia e muito o mundo se abrigando no lugar, vimos uma explosão em vídeos curtos e divertidos no Instagram.”

A maior parte da discussão em torno de Reels até agora indicou que os usuários acham que é uma versão piorada do TikTok, que é amplamente preenchido por clipes reaproveitados da outra rede social. A maioria dos usuários, ao que parece, prefere apenas usar o TikTok, dimunuindo a probabilidade do Reels se tornar tão popular quanto o app vizinho.

Mas, mesmo assim, com um bilhão de usuários vendo essa nova guia, mais deles, sem dúvida, vão acompanhar os últimos Reels – e se o Instagram puder oferecer melhores opções de monetização, isso pode funcionar como uma forte isca para obter mais TikTok os criadores migrem e tragam seus grandes públicos com eles.

As ferramentas de comércio eletrônico em evolução do Instagram também fornecerão novas oportunidades de receita a esse respeito, que é onde a nova guia Loja na tela principal também entra.

Acompanhando a recente expansão de compras, a próxima iteração provavelmente será o desenvolvimento do Facebook Pay, que tornará mais fácil para os usuários fazerem compras com um clique no app.

O Facebook ainda está trabalhando com os detalhes regulatórios de seus pagamentos, mas deverá se tornar muito simples para os usuários do Instagram tocarem em um produto que eles gostam e fazer uma compra no aplicativo.

Essas duas adições são mudanças significativas e muitos comentam sobre o risco do aplicativo ficar muito confuso. Mas os dados de uso vão revelar o sucesso ou não das atualizações.

Se as pessoas gastarem mais tempo e, eventualmente, dinheiro no aplicativo, o Instagram será um vencedor. E se também puder roubar algum público do TikTok, isso aumenta ainda mais os benefícios.

Disney + confirma produções brasileiras para sua plataforma de streaming

O Disney Plus está finalmente chegando ao Brasil, a partir desta semana, 17 de novembro. O serviço chega para competir com outros grandes nomes da indústria de streaming, em um ambiente que é definido pela própria empresa como “o maior e mais competitivo da América Latina”.

E para quem estava em dúvida se haveria produções brasileiras dentro da plataforma, a suspeita foi finalmente confirmada. Shows originais brasileiros também estão chegando ao serviço.

“O brasileiro é um grande usuário digital, está sempre conectado e por isso vemos o país como nosso maior mercado na região”, afirmou Juliana Oliveira , chefe de Estratégia e Parcerias LatAm da Disney +, em reportagem ao portal LABS.

O Disney + terá estratégias especiais para o público local, mas não garantiu que todos os lançamentos da versão americana estarão disponíveis simultaneamente no Brasil. “Grandes programas como The Mandalorian estarão disponíveis ao mesmo tempo, mas não podemos afirmar que todos os nossos lançamentos terão rollout global”, revelou a executiva.

Além disso, a empresa tem uma grande expectativa em relação ao público da série Marvel no Brasil e que eles estarão no balde de “grandes shows” também.

Na última semana, Disney + divulgou seus ganhos para o quarto trimestre e o ano fiscal encerrado em 3 de outubro de 2020: atingiu 73,7 milhões de assinantes, quase triplicando sua base de usuários. Ao final de setembro, a Netflix, maior serviço de streaming também da América Latina, contava com 195,15 milhões de assinantes em todo o mundo.

Lucas Amarildo

Lucas AmarildoJornalista de formação, apaixonado por produção de vídeos. Atuou em redações, produziu documentários e atualmente coordena a área técnica da Dia Estúdio com o objetivo de pensar estrategicamente as tecnologias e inovações adotadas nos projetos da empresa. Está sempre em busca das novidades do universo audiovisual, atualizações das plataformas e é justamente sobre isso que vai falar neste espaço!

 

 

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Criadores iD

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