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Entrevista: Luba fala sobre personagens, relação com a turma e dá dicas para quem quer ser youtuber

Lucas Feuerschütte começou a fazer vídeos para o YouTube ainda 2010, quando a plataforma estava começando a ganhar popularidade no Brasil e surgiram os primeiros vloggers por aqui. Em seis anos de história na internet com o canal Luba TV, Lucas cresceu e conquistou uma turma de mais de 3 milhões de inscritos. O catarinense, que aprendeu a gravar e editar vídeos sozinho, garantiu seu espaço em meio aos criadores do país e foi eleito em agosto deste ano a sexta personalidade mais influente entre youtubers, atores e apresentadores de TV brasileiros em pesquisa do Meio e Mensagem.

Seus vídeos repletos de humor, com edição caprichada e participações das personagens Rogéria e Tia Gertrudes ganharam o coração dos fãs. Para ficar ainda mais próximo da galera, o youtuber criou a Lubafest, espetáculo que tem viajado o país, levando um pouco do que o público assiste nos vídeos para os palcos. O sucesso do canal no YouTube tem se repetido nos teatros: cerca de 20 mil pessoas já compareceram às sessões nas 17 cidades que receberam o evento até agora.

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Lubafest (Foto: Bred Oliveira)

O Criadores iD entrevistou Luba e compartilha com vocês um pouco da experiência do youtuber!

Criadored iD: Você começou o canal em 2010, quando o YouTube ainda estava popularizando-se no Brasil. O que te levou a criar o canal?

Luba: Foi o tédio, porque eu estava fazendo faculdade de Psicologia, que eu amava mas eu não me via trabalhando na área, e ao mesmo tempo eu trabalhava em uma loja de artigos de esporte. Eu estava buscando outras coisas, aí eu esbarrei no YouTube, descobri que existia essa “profissão”, entre aspas porque há seis anos ninguém conhecia o termo youtuber, só quem era youtuber. Descobri youtubers americanos, como eles faziam para ganhar dinheiro e no começo foi esse meu objetivo, eu queria que o YouTube fosse uma plataforma de trabalho. Eu não consegui a princípio, não tive retorno financeiro nenhum, então eu continuei fazendo por hobby. Até que um dia o YouTube me chamou para ser parceiro e dividir o lucro dos anúncios comigo no canal. Foi quando eu decidi tratar como hobby que o negócio deu certo e estou muito feliz hoje.

Criadores iD: A Lubafest está em turnê por todo Brasil. Qual a diferença entre o feedback nos comentários dos vídeos e da plateia?

Luba: Eu costumo falar que a Lubafest é como se a pessoa entrasse num vídeo meu. A diferença do feedback dos comentários é que um comentarista de YouTube comum não é necessariamente  teu fã, acompanha teu trabalho há muito tempo ou é inscrito no canal. Às vezes, ele viu teu vídeo nos recomendados ou relacionado a outro conteúdo e vai lá e comenta alguma coisa. A diferença disso para uma pessoa que decidiu se deslocar de casa, pagar um ingresso de teatro e te assistir falando durante duas horas é imensa, porque esse sim é o fã, que te acompanha, que gosta. Não que as pessoas que não vão ao teatro não sejam fãs de verdade. Eu acho que é muito mais real as pessoas de frente contigo falando que gostam do teu trabalho, o que elas admiram, o impacto do seu trabalho na vida delas. Nessas horas a gente vê que não faz videozinho besta na internet de graça, sabe? A gente é capaz de tocar as pessoas e fazer a diferença também.

Criadores iD: Rogéria e Tia Gertrudes são figurinhas carimbadas no canal. De onde veio a inspiração para criar as personagens?

Luba: Tanto a Rogéria quanto a Tia Gertrudes têm inspirações externas, mas ao mesmo tempo elas têm personalidades próprias. A Rogéria, digamos assim, “se acha” e ao mesmo sabe que não é tudo aquilo, as pessoas amam ela, mas também odeiam, ela é aquela menina chata, mas extremamente segura e que te faz bem de algum jeito, sabe? E a Tia Gertrudes é um pouco daquela tia que todo mundo tem. Eu até brinco no show que se tu não tem aquela tia chata que todo mundo tem, você pode se tornar ela, então a gente tem que tomar cuidado para não ser essa pessoa. Mas ao mesmo tempo a Tia Gertrudes é aquela pessoa que fala a verdade sem medo. As tias chatas geralmente são assim porque são inconvenientes, falam coisas sem pensar e a Tia Gertrudes faz isso, mas digamos que direcionada para o bem. É aquela amiga que ao invés de passar a mão na sua cabeça quando você faz alguma coisa errada, de dar um abraço e dizer que vai dar tudo certo, não, ela vai dar um tapa na sua cara e dizer “vai corrigir a merda que você fez”.

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Lubafest (Foto: Bred Oliveira)

Criadores iD: A turma já tem mais de 3 milhões de pessoas e é muito engajada, não poupando esforços para mostrar o carinho que tem por ti. Qual foi o episódio mais inusitado que já rolou com os fãs?

Luba: O episódio mais inusitado, e que é mais recente, foi relacionado aos Meus Prêmios Nick. Foi incrível, porque a gente estava votando no Twitter durante o primeiro mês com a hashtag errada e a Nickelodeon não contou esses votos. Então, depois que a gente percebeu que estava votando com a hashtag errada, a turma inteira se uniu, os fã-clubes e tal, fizeram um mutirão de votos, se organizaram e se empenharam de verdade, sabe? Não mediram esforços realmente para fazer acontecer. E o mais engraçado é que, mesmo votando com a hashtag errada por um mês e eu sendo o menor youtuber em relação ao número de inscritos na categoria Youtuber Masculino Favorito, a gente ganhou! Então foi incrível o engajamento, o carinho, o amor e todo o esforço, com certeza é além da conta, de um jeito muito positivo, é muito bom!

Criadores iD: Em um dos vídeos mais emblemáticos do canal você assume que é gay. Foi importante para trazer representatividade para o YouTube e gerar identificação. Muitos fãs te agradecem por aquele vídeo?

Luba: Eu não estava em um momento muito bom da minha vida quando fiz o vídeo falando que eu sou gay. Na verdade, eu fiz porque eu estava irritado, eu tinha feito um vídeo com o Gusta e com o Christian [Figueiredo] e eles estavam recebendo comentários homofóbicos por minha causa. A gente tinha feito uma brincadeira com um teste para descobrir se você é gay ou não, só que eram perguntas muito nada a ver,  o vídeo era para ser engraçado, não real, então a gente perguntava coisas do tipo “quanto tempo você demora para arrumar seu cabelo?”. Isso não define a sua sexualidade, mas estávamos brincando com essas coisas. Aí eles começaram a receber comentários ruins e eu fiquei doído com isso, porque uma coisa é a pessoa me xingar, outra coisa é a pessoa xingar alguém que eu convidei para ir no meu canal, isso me deixou muito nervoso na época. E no vídeo eu falo que eu achava ridículo ter que gravar para explicar para as pessoas que eu sou gay, porque estavam perguntando demais e comentando coisas do tipo “por que você não fala de uma vez?”. E eu achava ridículo porque a minha personalidade me define, não a minha orientação sexual.
Mesmo em um momento ruim, o vídeo bombou e foi muito importante para mim. Parece que quebrou uma barreira que existia entre eu e os meus fãs, fiquei mais espontâneo, comecei a brincar mais. Não que eu escondesse antes, mas abriu as portas e tornou a minha relação com os fãs mais íntima e muitos deles agradecem, com certeza. Eu e minha mãe, depois do vídeo que fiz com ela, começamos a receber muitos emails pedindo conselhos de como assumir para os pais. Então falar da minha vida pessoal daquele jeito pelo menos serviu para alguma coisa. Foi uma exposição, não por falar que eu sou gay, mas falar da minha vida pessoal, porém valeu a pena.

Criadores iD: Você aprendeu a filmar e editar sozinho. Que dica daria para a galera que quer ser youtuber, mas também não tem domínio com equipamentos e programas de edição?

Luba: A dica que eu posso dar: Google. Google é a melhor pessoa. Eu não tinha noção nem de programa para editar os vídeos, então eu pesquisava qual programa era bom para fazer isso, como colocar o vídeo que eu tinha gravado dentro do editor, como cortar o vídeo, como usar efeitos, colocar música, abaixar o volume, tudo eu pesquisava. A mesma coisa para gravar: eu pesquisei uma câmera boa, que tinha o formato compatível com o editor de vídeo. Hoje em dia é mais fácil eu acho, porque fazer vídeos para internet já é uma coisa mais comum, tem muitos youtubers que respondem essas questões técnicas, eu inclusive já fiz vídeo em que eu mostro meu equipamento. Então a dica que eu dou é: pesquisa! Você pode encontrar com facilidade essas coisas na internet.

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