produção de conteúdo na quarentena

Lives, chroma key e calls: as alternativas para inovar no conteúdo durante a quarentena

Completamos três meses de quarentena e muita coisa mudou na produção de conteúdo para a internet. Influenciadores e artistas tiveram que inovar para continuar entregando conteúdo ao público mesmo sem sair de casa. Lives, uso do chroma key e as call estão entre as opções adotadas pelos criadores. Na coluna Para Inspirar desta semana, listei iniciativas que mostram mais sobre essa capacidade de adaptação durante a pandemia da Covid-19.

CHUVA DE LIVES

As lives estão em todos os lugares: Instagram, Youtube, Tiktok, Facebook e em aplicativos específicos para transmissões online, como a Twitch e o Live.me, um aplicativo só de lives, que muitas pessoas só conheceram depois do início da quarentena.

A primeira onda de lives começou no final de março. Um dos primeiros artistas brasileiros a realizar um show ao vivo de grande repercussão no YouTube foi Gusttavo Lima, que alcançou mais de 750 mil espectadores simultâneos. Polêmicas sobre consumo excessivo de álcool ao vivo e problemas com o Conar a parte, ele abriu as portas para as grandes lives que viriam na sequência, como a de Jorge e Mateus (3,1 milhões simultâneos) e Marília Mendonça (3,2 milhões simultâneos).

O termo “live” disparou nas buscas, tendo pico em abril, segundo o Google Trends. E não foram só os cantores de sertanejo que se lançaram aos shows ao vivo, artistas de todos os gêneros musicais aderiram às transmissões. Portais online também organizaram festivais de música, como o Garotas Estúpidas, com o Festival GE realizado em março, e o portal Pop Line, que organizou o Festival Masks 4 All em maio.

Influenciadores e artistas também definiram cronogramas de lives em seus perfis pessoais no Instagram com diferentes assuntos – como fez a Anitta, com exercícios físicos, aulas de francês e conversas sobre política junto com Gabriela Prioli.

Segundo o site Business Insider, o número de lives no Instagram aumentou 70% desde o início da quarentena e a audiência no Brasil cresceu 50%. E não foram só os famosos que aderiram, outras pessoas decidiram lançar seus conteúdos para o mundo, como o seu vizinho dando banho no cachorro, uma prima ensinando maquiagem e por aí vai (quem abriu uma live de algum conhecido sem querer e ficou com vergonha de sair, sabe bem do que eu tô falando).

Agora, passada a novidade, é fácil localizar agendas de lives online e decidir o que assistir em cada dia da semana. No Instagram do Youtube Brasil, por exemplo, sempre são divulgadas quais serão as próximas lives musicais apoiadas pela iniciativa #FiqueEmCasa e Cante #Comigo, projeto da plataforma. Além dos shows, também são abordados em transmissões ao vivo outros conteúdos, como dicas fitness, de saúde e educação.

E se a primeira onda de lives teve um clima mais caseiro, a tecnologia a tem proporcionado transmissões cada vez mais inovadoras, como foi o caso das lives internacionais do Black Eye Peas e da Katy Perry.

Aqui no Brasil, a novidade ficou por conta de Dennis DJ, que lançou a “primeira live 4D do mundo” no último sábado (20/06), com a proposta de ser um “show de interatividade que mescla o mundo real com o virtual”. A produção contou com uma combinação de captação de imagem do DJ com fundo de chroma key, somado a um cenário projetado em 3D.

POSSIBILIDADES INFINITAS

E, falando em chroma key, a famosa “tela verde” tem sido um um grande aliado na hora de expandir as possibilidades do que pode ser feito dentro de casa. Canais já conhecidos no YouTube tiveram que inovar na hora de produzir o conteúdo semanal. Muitos deles decidiram voltar as raízes deixando os estúdios de lado e voltando a produzir da própria casa.

Canal Coisa Nossa

O canal Coisa Nossa, do Guaraná Antártica, já é case de sucesso como o canal de marca com maior engajamento do Brasil. Geralmente os criadores convidados, Lucas Inutilismo, Matheus Canella, Igor Guimarães, Diogo Defante, entre outros, apresentavam o conteúdo do cenário oficial do canal.

Agora, com a quarentena, cada um usa um chroma, o que unifica a linguagem visual dos vídeos, muitas vezes reproduzindo uma foto do cenário no fundo, além de possibilitar a inserção de imagens e vídeos de apoio, que dão o toque de humor que é marca registrada do Coisa Nossa.

Depois das Onze

O canal Depois das Onze é composto por uma dupla, Thalita Meneghim e Gabie Fernandes, que sempre estiveram lado a lado em seus vídeos. A dinâmica do canal é baseada na interação entre a dupla, mas, com cada uma na sua casa foi necessário adaptar a gravação e edição.

O formato de edição escolhido permite que a dupla fique lado a lado, como nos vídeos tradicionais, e o fundo simula o cenário de estúdio do canal. Mas o chroma key também permite usar a criatividade nas introduções e interações. O formato conquistou o público, que é unânime nos elogios nos comentários.

Jean Luca

Ao contrário do DD11, Jean Luca grava sozinho no sítio da família, onde está isolado desde o início da quarentena. Mas Jean aderiu ao chroma key para diversificar o conteúdo apresentado no canal, nesse caso, é uma sacada já usada em canais como Luba TV mesmo antes do período de isolamento social.

Ao usar o fundo verde durante a narrativa, Jean amplia as possibilidades da edição, com inserção de imagens, e diferencia o quadro EVENP (Eu, você ou eles no perrengue) dos outros tipos de vídeo que já são produzidos para o canal.

VAMOS FAZER UMA CALL RAPIDINHO?

Outros canais venceram a distância de forma simples, mas com um toque especial. A videochamada é uma das melhores maneiras de realizar reuniões de trabalho, entre amigos e até em happy hours durante o isolamento social. A busca pelo termo “videochamada” também disparou nas pesquisas do Google.


 

Porta dos Fundos

O Porta dos Fundos, que figurou como maior canal do Brasil em número de inscritos entre 2013 e 2016, sempre é referência na produção de conteúdos do segmento de humor e esquetes.

A alternativa para a quarentena foi produzir roteiros usando a metalinguagem das telas. Em todos os novos vídeos, os personagens interagem com o dispositivo de gravação, seja simulando um jornal, uma videochamada, stories ou a própria gravação de vídeos para a internet. As narrativas também focam em situações cotidianas vividas na quarentena, como a convivência com a família durante o isolamento, o home office e o cenário político atual.

Entrevistas e collabs

O segmento de entrevistas também teve que adaptar a forma de como receber os convidados a distância. As videochamadas são a base de tudo, mas cada canal pensou em uma forma diferente na hora de apresentar esse conteúdo.

No canal da Ubisoft Brasil, o Ratinho Talk Show a distância usou grandes telas de TV dentro do estúdio para exibir as imagens tanto do apresentador Rato Borrachudo, quanto dos convidados do programa.
 

 
Já a Foquinha passou a fazer collabs a distância e também criou um novo quadro para o seu canal, o Foca no Game, onde recebe até quatro influenciadoras ou artistas para conversar e brincar, com cada uma na sua casa.
 

 
Sabrina Satto adotou estratégia parecida, lançando o quadro Cada um no seu banheiro, no qual recebe celebridades via videochamada para entrevistar no canal. O detalhe especial é que cada um está literalmente dentro do seu próprio banheiro durante a conversa.
 

 
Essas são só algumas alternativas que criadores de conteúdos que eu acompanho usaram para diversificar seus vídeos durante a quarentena. E você? Percebeu alguma adaptação nos canais que você acompanha? Conta pra gente lá no Twitter @criadoresID.

 

Simone Feldmann

Simone Feldmann

Coordenadora de Conteúdo na Dia Estúdio, jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina, pós-graduanda em Gestão de Projetos, Marketing e Branding. Entusiasta da cultura nerd, espectadora de séries e filmes de todos os gêneros e louca por gatos.

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