Como produzir conteúdo acessível?

Você já parou pra refletir sobre o quanto seu conteúdo é acessível para as pessoas com algum tipo de deficiência? De acordo com dados do IBGE de 2017, 24% dos brasileiros, o equivalente a 45 milhões de pessoas, têm algum tipo de deficiência, sendo que, pelo menos 10 milhões, têm baixa audição ou surdez.

O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência é celebrado no dia 3 de dezembro. Para comemorar a data, o YouTube e o Movimento Web Para Todos se uniram para propagar a necessidade de produção de conteúdo acessível dentro das mídias sociais. 

Conteúdo acessível é direito de todos, além disso, também amplia o mercado. É muito importante que os criadores de conteúdo entendam mais sobre o assunto e usem a influência para mobilizar a defesa da dignidade, dos direitos e o bem estar das pessoas. 

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Para te ajudar nessa missão, separei algumas dicas do Movimento Web Para Todos para dividir com vocês. O objetivo é educar, inspirar e fomentar a produção de conteúdo audiovisual acessível para as pessoas com deficiência:

Termo Correto

Quando vamos nos referir às pessoas com algum tipo de deficiência, o termo correto para se usar é justamente esse: “pessoa com deficiência”. Caso seja necessário, dentro do contexto, você pode especificar como “pessoa com deficiência auditiva” ou surdo, “pessoa com deficiência visual” ou cego, termos como cadeirante, muletante, autista, tetraplégico, disléxico também estão corretos. Porém, nunca use os termos: “deficiente”, “pessoas com necessidades especiais” ou “pessoas portadoras de deficiência”; 

Texto Alternativo

Inclua texto alternativo em suas redes sociais, inclusive na descrição do YouTube: você já imaginou que pode ter fãs com deficiência visual, por exemplo, que gostam de te ouvir, mas nem imaginam como você é? 

A gente pode fazer a nossa parte incluindo a descrição das imagens nos nossos conteúdos. No Instagram, no Twitter e no Facebook existe a função de “texto alternativo” na hora de postar uma imagem.

 

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Caso a rede social não tenha essa opção, como no YouTube, você pode usar as hashtags #PraCegoVer ou #PraTodosVerem e escrever o texto na descrição mesmo.

Como descrever suas imagens

É bem simples, comece dizendo o que está na imagem (se é uma foto, mapa, gráfico, arte), onde está, como é, o que está fazendo. Na hora de descrever algo, sempre procure seguir uma sequência lógica de cima pra baixo, da esquerda para direita, assim a pessoa pode imaginar melhor o que você está descrevendo. 

A criadora de conteúdo Isa Meirelles, que ministra cursos sobre conteúdo acessível para a internet, também alerta que a construção do texto pode variar de acordo com o objetivo do seu perfil: 

 

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Legenda nos Vídeos 

Ativar a legenda automática dos seus vídeos é bem fácil. Na hora de postar o vídeo, é só conferir em “Mais Opções” se o idioma original do vídeo está correto.

Depois, você pode selecionar a opção “Legendas” no menu esquerdo do YouTube Studio e editar o texto automático. Assim, você garante que os erros da transcrição automática foram corrigidos e que a legenda pode ser compreendida. 

Diferença entre libras e legenda

Uma curiosidade que muita gente não sabe é que Libras e Legenda atingem diferentes públicos de pessoas surdas. Isso porque tem gente que foi alfabetizada em Libras, outras pessoas são “surdos oralizados”, que sabem português e podem saber ou não Libras. Por isso, no mundo ideal, os conteúdos deveriam ter os dois formatos e, ainda, a audiodescrição, para proporcionar acessibilidade para as pessoas cegas também.

A apresentadora e criadora de conteúdo Nyvi Estephan anunciou no início de novembro que todos os seus vídeos no YouTube vão ter Libras e legendas, um exemplo que poderia ser seguido por mais criadores de conteúdo: 

Será que em breve vamos ver iniciativas como essa se propagando em outros canais do YouTube! Esperamos que sim! Caso você saiba de outras dicas que não foram mencionadas nessa coluna, manda pra gente pelo Twitter e siga @criadoresid

 

Simone Feldmann

Simone Feldmann

Coordenadora de Conteúdo na Dia Estúdio, jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina, pós-graduanda em Gestão de Projetos, Marketing e Branding. Entusiasta da cultura nerd, espectadora de séries e filmes de todos os gêneros e louca por gatos.

 

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Criadores iD

 

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