Acesso à educação vs cancelamento no Twitter: Castanhari, Débora Aladim e Audino Vilão

Felipe Castanhari gerou movimentação nas redes sociais nos últimos dias. Conhecido pelos seus vídeos no Canal Nostalgia (com mais de 13 milhões de seguidores e abordando assuntos complexos como fascismo, buracos negros e guerras, sempre de forma didática), ele anunciou a estreia da sua série “Mundo Mistério” na Netflix, que irá tratar sobre grandes mistérios e questionamentos na história da humanidade.

Após o anúncio, o influenciador começou a receber críticas e hates por tratar do tema sem ser um historiador graduado na área. Em poucos minutos ele se posicionou afirmando que essa “galera chatinha” estava sendo egoísta ao criticar seu trabalho sem se preocupar na democratização e acessibilidade desse conteúdo para o grande público. Levantando o debate sobre o acesso à informação, Castanhari disse ainda que se uniu a especialistas para gerar o conteúdo da série, reafirmando seu trabalho como apresentador e diretor – sem jamais ter se colocado na posição de historiador.

Castanhari Cancelamento

Mesmo após seu posicionamento, o influenciador continuou sendo atacado nas redes sociais. Muitos seguidores criticaram a falta de embasamento técnico para tratar sobre o assunto (e citando, inclusive, que isso poderia ser visto como um reforço à precarização da profissão). Vale lembrar, que Castanhari já havia sido criticado pela mesma razão ao apresentar o Guia Politicamente Incorreto, no History Channel. O programa era baseado no livro “O Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”, uma obra que enfureceu muitos leitores ao fazer afirmações polêmicas, como dizer que Zumbi dos Palmares possuía escravos.

DÉBORA ALADIM

O assunto trouxe para a pauta a importância das redes sociais e influenciadores na democratização do acesso à informação, nos fazendo lembrar de outros casos recentes envolvendo a mesma temática.

Há alguns dias, a influenciadora de estudos Débora Aladim foi “cancelada” nas redes sociais por razões semelhantes à Felipe Castanhari: falar sobre história sem ser graduada na área. Com prints de tweets nos quais a influenciadora compartilhou informações equivocadas (como dizer que Freud é criador da psicologia), diversos internautas começaram a criticar o trabalho da creator, mostrando a falta de embasamento técnico e a disseminação de desinformação por parte dela.

debora aladim Cancelamento

Conhecida pelo seu trabalho dentro do universo da educação, Débora havia sido muito elogiada há algumas semanas, após ter liberado um curso preparatório online pelo preço de R$1,99, facilitando o acesso à informações para mais camadas sociais – especialmente durante o período de isolamento social.

AUDINO VILÃO

Seguindo a mesma temática, o canal Audino Vilão também gerou bastante repercussão nas redes sociais. Criado por Marcelo Marques, a iniciativa traz vídeos com conceitos de sociologia e filosofia traduzidos na linguagem “da quebrada”, com muito uso de gírias e expressões conhecidas na periferia.

Diferente dos outros influenciadores já citados, Marcelo é estudante de história e diz conversar com alguns professores antes de elaborar o roteiro de seus vídeos. As críticas aqui, vieram da linguagem escolhida para compartilhar seu conhecimento. Ainda assim, mesmo com algumas reclamações sobre a forma “errada” de falar, o influenciador ganhou reconhecimento. Foi bastante elogiado pela tentativa de democratizar o conhecimento, transmitindo-o para camadas sociais mais periféricas que muitas vezes não têm acesso à este tipo de informação e utilizando uma linguagem mais próxima da realidade. Isso permite que a população dentro das favelas também consiga refletir sobre essas questões muitas vezes elitizadas.

aldino vilao

Com linguagem formal ou não, com embasamento técnico ou não, precisamos admitir a importância das redes sociais e influenciadores dentro da democratização do acesso à informação. Além de disseminar o conhecimento com um grande alcance de público, os criadores de conteúdo trazem temas complexos de forma lúdica e dentro de um contexto de entretenimento, gerando interesse e facilitando o entendimento para grande parcela dos jovens no país.

 

Bea PiresBea Pires

Relações Públicas de formação, sou apaixonada pelo universo da influência e hard user das redes sociais (oi @, me segue?). Respirando produção de conteúdo, já trabalhei com marcas de variados segmentos. Acredito que sempre existe algo novo pra gente descobrir, produzir e discutir – no trabalho, em casa, e na mesa do bar. Nas horas vagas vejo séries, converso com meus divertidamente e faço umas fotos por aí.

 

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