#BlackLivesMatter: a humanidade venera a Beyoncé e despreza a sua origem

Beyoncé, Rihanna, Tim Maia, Criolo, Emicida, Gloria Gaynor... Falta fôlego para falar todos esses nomes, fôlego que faltou a George Floyd #BlackLivesMatter

Beyoncé, Rihanna, Michael Jackson, Lewis Hamilton, Obama, Tim Maia, Criolo, Emicida, Gloria Gaynor, Prince, Iza, Marta, Cristiane, Formiga, Mickey Tyson, Michael Jordan, Pelé, Glória Maria, Maju, LeBron James, Cafu, Kobe Bryant, Viola Davis, Nelson Mandela, Martin Luther King, Gilberto Gil, Taís Araújo, Lázaro Ramos, Machado de Assis, Whitney Houston, Alcione…

É, falta fôlego para falar todos esses nomes, que são apenas alguns exemplos de tantas outras pessoas extraordinárias. Fôlego, algo que George Floyd tentou ter por 8 minutos e 46 segundos. Não conseguiu. E de uma coisa a sua filha tem muita razão: ele mudou o mundo. Agora, como a humanidade venera a Beyoncé e despreza a sua origem? Não só ela como tantos outros ídolos. Contraditório, surreal e acima de tudo, muito errado.

Neste momento não é preciso relembrar o que aconteceu nos Estados Unidos, mas daqui algum tempo, capaz de ser mais um caso de violência policial e racismo esquecido como poeira estelar. Assim como tantos casos no Brasil. Entretanto, a gente não vai esquecer, nunca, não é mesmo?

É preciso sentir desconforto no conforto. É preciso ser contra o silêncio e a favor do sentir. Então, vamos pincelar os momentos marcantes da semana dentro desta temática:

O movimento #BlackLivesMatter e #BlackoutTuesday

O caso de George Floyd repercutiu mundo a fora e gerou protestos nas ruas e também nas telas. Primeiro com a hashtag #BlackLivesMatter e depois, apareceram várias imagens pretas no Instagram, por conta da campanha #BlackoutTuesday. A indústria da música, entre emissoras, serviços de streaming, gravadoras e artistas, aderiram ao movimento chamado de “terça-feira do blecaute”, em apoio às manifestações antirracistas que começaram nos EUA.

A iniciativa faz parte da campanha #TheShowMustBePaused, ou “o show deve ser interrompido”, criada por duas mulheres negras da indústria da música: Jamila Thomas e Brianna Agyemang, executivas da gravadora Atlantic Records.
Os canais como MTV, VH1 e Comedy Central ficaram em silêncio por 8 minutos, o tempo em que o policial Derek Chauvin ficou de joelhos sobre o pescoço de Floyd. Além disso, o Spotify usou o tempo em que Floyd foi asfixiado para inserir momentos de silêncio em alguns podcasts e playlists selecionados.

Entre os artistas, a campanha ganhou ainda mais força, Rihanna e sua marca de cosméticos Fenty não realizaram nenhum negócio na terça-feira (2). Além disso, Três das maiores gravadoras do mundo (Universal, Sony e Warner Music), aderiram ao movimento

#BlackLivesMatter

O posicionamento de Beyoncé

A gente ama uma mulher e tudo o que ela faz. Um dos maiores símbolos da música mundial, que inclusive já retratou em diversas entrevistas e músicas a dor de quem luta contra o racismo, não se calou perante a situação. Beyoncé postou um vídeo em seu Instagram e pediu para que os internautas assinassem a petição.

Paulo Gustavo e Djamila Ribeiro

O ator e comediante, Paulo Gustavo, cedeu suas redes sociais durante todo o mês de junho para a filósofa e colunista do jornal ‘Folha de S. Paulo’, Djamila Ribeiro. Ela ganhou uma gigante audiência para fazer algo que ele não conseguiria: discutir as relações raciais no país com credibilidade. Djamila já realizou diversos posts e falou sobre racismo estrutural.

Djamila Ribeiro

Trechos de entrevistas do GNT

Na última semana, o canal relembrou entrevistas importantes com pessoas que falaram sobre a sociedade racista em que vivemos. Através do Instagram, o GNT compartilhou trechos de entrevistas com relatos emocionantes, verdadeiras aulas com: Emicida, Gaby Amarantos, Manoel Soares, Djamila Ribeiro, Conceição Evaristo, Nilma Lino Gomes e Preta-Rara.

GNT - Gaby

“Rapaziada… a pauta é racismo”

A GloboNews levou uma invertida dos internautas e entendeu bem o recado. Isso porque apenas comentaristas brancos estavam cobrindo os protestos gerados pelo assassinato de George Floyd. A situação viralizou no Twitter com a frase: “Rapaziada… a pauta é racismo” e fez com que o grupo Globo repensasse o óbvio. Depois disso, foi ao ar um painel inédito com jornalistas negras no ‘Em Pauta’. Heraldo Pereira – o primeiro apresentador negro da história do ‘Jornal Nacional’- conduziu o programa no lugar de Marcelo Cosme.

#BlackLivesMatter

A edição história reuniu grandes nomes do jornalismo brasileiro para comentar os episódios de racismo. Zileide Silva, Flávia Oliveira, Maju Coutinho, Aline Midlej e Lilian Ribeiro relataram o que já passaram na vida profissional e pessoal por conta da cor da pele.

GloboNews

Os bastidores de uma jornalista preta

Na sexta-feira (5), o Globo Repórter reexibiu o debate sobre o racismo da GloboNews. Se recuperando de um tratamento de saúde, Glória Maria não ficou de fora de um momento tão crucial. A jornalista deu seu depoimento de casa e relembrou que foi a primeira pessoa no Brasil a usar a lei que punia este crime, após ser barrada na porta de um hotel. “Racismo é algo que eu vivi desde sempre, a gente vai aprendendo a se defender”, destacou.

#BlackLivesMatter

Com todas as crises do contexto atual, bem que o Whindersson Nunes tem razão quando disse para entregar o Brasil para os pais da Maisa. Já imaginaram ela governando? Na verdade, se for assim, entreguem logo o mundo de uma vez. Talvez, você esteja pensando no que mais aconteceu nos últimos dias. Sim, é verdade, rolou outras coisas ao longo da semana. Só que vamos combinar o seguinte, depois a gente fala sobre isso, beleza? E olha que o futuro promete e vamos ter muitos assuntos legais, como a Parada LGBT de São Paulo, que terá sua primeira edição totalmente virtual no dia 14 de junho transmitido ao vivo com apoio do YouTube.

Entretanto, neste momento, já passou da hora de não sermos só uma hashtag. Sejamos, urgentemente, antirracistas!

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Criadores iD