5 influenciadores que brilharam em 2020 e apontam os caminhos para a criação de conteúdo em 2021

Sim, 2020 foi um ano BASTANTE atípico e ao que tudo indica, as mudanças de rota provocadas pelos eventos ocorridos neste período de tempo conturbado já afetaram a maneira como nos comportamos, seja no ambiente real ou virtual.

Não é uma tarefa fácil entender a loucura que foi 2020 na internet. A maneira como se produz conteúdo e o mercado de influência digital sofreram grandes transformações e as velhas fórmulas, que por anos movimentaram as plataformas, já não funcionam mais.

Para tentar entender um pouquinho da bagunça (hehehe) que foi 2020 na internet, selecionamos 5 influenciadores que impactaram nossos dias em quarentena com seus conteúdos para uma retrospectiva especial. Eles ganharam espaço em meio a tempos caóticos e hoje apontam os caminhos da criação de conteúdo em 2021.

Pequena Lo e Vittor Fernando – A potência viral do TikTok

O ano de 2020 já iniciou com notícias esparsas sobre um novo vírus sendo monitorado fora do Brasil e foi a partir do mês de março, com o início das medidas de isolamento social que um outro fenômeno começou a despontar no mundo da internet. De uma hora para outra, dancinhas e esquetes de no máximo 15 segundos começam a ganhar relevância e passam a ser alvo de comentários em diversas redes sociais.

A ascensão do TikTok com certeza é um dos principais pontos que redirecionaram as rotas da criação de conteúdo na internet. Com espantosos 1 bilhão de instalações até o fim de março, o aplicativo chinês conseguiu consolidar sua presença no mercado e nos celulares, principalmente de usuários da geração Z (nascidos entre 1995 e 2010), e hoje tem seu impacto reconhecido inclusive pelos concorrente, que se esforçaram para adaptar-se à velocidade e fluidez do algoritmo do app.

Procura pelo termo TikTok nas ferramentas do Google entre janeiro e dezembro de 2020 – Google Trends

E foi entendendo a lógica de viralização do TikTok que criadores como Pequena Lo e Vittor Fernando explodiram com seus vídeos bem humorados e com potencial de identificação em grande parcela dos usuários ativos das redes sociais. Lorrane Silva, conhecida nas plataformas como a Pequena Lo, começou a produzir conteúdo em 2017 para o YouTube mas foi em 2020 que suas paródias e vídeos curtos de humor bombaram na internet. A psicóloga e criadora de conteúdo faz tanto sucesso, que arranca curtidas até dos humoristas mais famosos do Brasil, como Whindersson Nunes e Tatá Werneck.

Vittor Fernando, sim, ele mesmo, o menino dos filtros no rosto que se transforma em até 3 pessoas no mesmo vídeo 😉 assim como Lorrane soube encontrar seu nicho e explorar linhas narrativas que geram identificação imediata com o espectador. A dupla de Tiktokers entendeu que meme bom a gente compartilha e marca os amigos dizendo: “Muito vc esse aqui!” e assim conseguiram ampliar de forma muito rápida seus seguidores e conquistar também o mercado de publicidade.

@vittorfernandoa amiga de vcs tb? 🤡 só marca 🗣💕 E VOTA EM MIM P MELHOR TIKTOKER? pfvr 🥺🙏🏻 link na minho bi0 🥰❤️✨♬ som original – Vittor Fernando

Leia mais >>> ID Talks com Vittor Fernando 

Magalu – De assistente virtual à mega influenciadora

Já no final de 2019 a gigante global em pesquisa de tendências Trend Watching apontou os avatares de marca como uma das cinco mega tendências para ficar de olho no ano de 2020. Pois dito e feito! Mais uma vez a pesquisa de tendências e prospecção de futuro mostrou sua eficácia e em 2020 pudemos acompanhar o nascimento de diversos representantes virtuais de marcas.

Seja a Nat da Natura, a Mara da Amaro ou o recém chegado CB das Casa Bahia, os avatares de marca hoje cumprem um papel importante na digitalização do comércio. Com a popularização das compras online, muitas vezes o contato mais próximo do cliente com a marca é um tweet bem humorado de algum desses “”””robôs”””.

Em Julho de 2020 conversamos aqui na coluna Observatório sobre a Miquela Souza, a influenciadora virtual (e superstar) que já fez campanhas para marcas como Chanel, Calvin Klein e Dior, além de ter um canal no Youtube com seus clipes e vídeos onde entrevista celebridades. Mas este ano, aqui mesmo no Brasil, vimos despontar a influência de uma pioneira quando falamos em representantes virtuais de marca, a queridíssima Magalu. 

Leia mais  >>> Os influenciadores virtuais 

Lu, que já era protagonista na digitalização da tradicional rede Magazine Luiza, conquistou um espaço ainda maior na internet em tempos de isolamento e comercio online. Em dezembro de 2020 ela estrelou sua primeira campanha de marca externa ao grupo Magazine Luiza. A influenciadora, que hoje conta com mais de 21 milhões de seguidores em suas redes, fez parte da campanha de lançamento da linha de roupas, fruto de uma colaboração entre Adidas e Farm, que também era comercializada pelo Superapp Magalu.

Mais um comportamento intensificado com a pandemia, o relacionamento de clientes ou seguidores com personagens virtuais deve se tornar cada vez mais comum no próximo ano. A tendência é que mais marcas criem seus avatares e que mais usuários das redes sociais se interessem por acompanhar a rotina, mesmo que fantasiosa, destes robôs que podem entreter e ser uma fuga da realidade e de comportamentos “previsíveis” dos influenciadores de carne e osso.

Ana Carolina Apocalypse e Bielo Pereira – Transbordando os nichos

“Ah, o algoritmo! A culpa é do meu algoritmo! Não, é porque o meu algoritmo blablabla…” Definitivamente em 2020 falamos E MUITO sobre o tal do algoritmo. Este senhor que comanda o que chega ou não ao topo dos nossos feeds foi tópico importante do nosso ano, rendendo inclusive polêmicas e discussões bastante importantes.

Os dias de confinamento nos deixaram super expostos à internet e com isso tivemos a possibilidade (e um pouquinho mais de tempo) de “cavar” cada vez mais fundo nas redes sociais descobrindo criadores e conteúdos de nichos específicos que antes sequer passavam pela nossa timeline. Aliás, nicho foi outra palavra super comentada em 2020 e aprendemos que transborda-los pode (E DEVE) ser um comportamento positivo.

Aos 62 anos de idade, Ana Carolina Apocalypse ganhou o coração do público na internet logo no início da pandemia do Covid 19  ao compartilhar em suas redes sociais as experiências do seu processo de transição de gênero. Cheia de carisma e com uma fofura genuína, Ana Carolina transbordou um nicho bastante negligenciado por marcas e agências, o dos criadores e consumidores maduros.

Além de produtores de conteúdo e influenciadores, os maduros representam uma parcela da população que no Brasil já soma mais de 30 milhões de pessoas! E não se engane pela idade, elas estão cada vez mais conectadas à internet e com alto potencial de consumo. Ao transbordar esse nicho com sua doçura, Ana Carolina Apocalypse transborda também representação e reflexões pertinentes ao seu mundo para um número cada vez maior de pessoas na internet.

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E representatividade foi pauta SUPER importante (e sempre necessária) nesse ano em que nos vimos a todo tempo “espelhados” na tela do celular. Preta, gorda maior, trans, bi genere e uma criadora de conteúdo completa (que ainda é apresentadora e empresária, viu)! Esse ano tivemos a felicidade de ver Bielo Pereira brilhar na internet, mais uma vez transbordando nichos e espalhando mensagens importantes sobre vivências e representação.

Com um número cada vez maior de criadores produzindo conteúdo na internet, entender (e transbordar, se possível) o seu nicho, encontrar sua linha narrativa, gerar identificação e compreender as fronteiras cada vez mais líquidas entre o real e o virtual são requisitos necessário para criadores de conteúdo que querem continuar relevantes em 2021.

Se o ano de 2020 fez com que o público se sentisse mais próximo aos seus influenciadores preferidos, o próximo ano será cheio de “desafios de convivência” onde só aqueles que forem realmente relevantes seguirão conectados.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Criadores iD