Depois que Júlio Cocielo foi criticado por um tweet racista durante a Copa do Mundo, o público cobrou um posicionamento das marcas parceiras do youtuber sobre as campanhas. O episódio fez surgir um debate sobre os impactos dos discursos de criadores sobre as marcas parceiras e os desafios para a profissionalização deste tipo de trabalho.

 

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Os discursos de influenciadores digitais

Os influenciadores digitais são fortes transmissores de qualquer discurso, seja para o bem ou para o mal. Mas mensurar o real impacto desses discursos para as marcas, principalmente os de grande repercussão, como o de Cocielo, pode levar um tempo.

Isso porque não há um padrão para as reações do público, que às vezes pode ver as marcas como vítimas ou demonstrar clara insatisfação. É que explica Carolina Zaine, da Vert Inteligência Digital, uma empresa com experiência em monitoramento de crises de imagem, em entrevista ao Meio & Mensagem.

No caso de um episódio como o de Cocielo, somente depois de um monitoramento a médio prazo é possível saber se houve mudanças para as marcas.

Bia Granja, fundadora do Youpix, acredita que o impacto pode variar de acordo com os valores dos consumidores. Ela disse que alguns acham que as mudanças da sociedade não são problema deles e por isso podem não alterar suas percepções sobre as marcas. Já outros podem reagir e gerar grande impacto inicial.

 

 

Outros desafios de mercado

Bia Granja diz que marcas e agências devem olhar de forma mais séria sobre a responsabilidade dos discursos de ódio. Para ela, uma vez que as empresas envolvidas se beneficiam das ações com influenciadores, devem ser responsáveis pela educação da indústria.

Um dos principais desafios é estabelecer objetivos claros e mensuráveis. “Em nossas consultorias com marcas, vemos que a grande maioria não sabe porque quer ou precisa trabalhar com o influenciador”, conta Bia Granja.

Os retornos dos trabalhos com influenciadores também é diferente de outros segmentos do mercado. Apesar de calcular a média de engajamento esperada para determinadas campanhas, não é possível saber quantos produtos serão vendidos a partir disso. Explica Celso Forster, sócio da consultoria BR Media, que trabalha com a recomendação de influenciadores para anunciantes.

Outro desafio que acompanha esse segmento é a compra de seguidores e bots em contas de influenciadores. Uma das etapas do trabalho de anunciantes na hora de contratar criadores de conteúdo digital para campanhas é justamente a análise nas redes.

Plataformas como YouTube, Instagram e Twitter já se pronunciaram sobre o assunto e dizem não apoiar troca ou venda de curtidas e que trabalham com ferramentas para evitar essas práticas.